A importância da representatividade na literatura


Quando comecei a escrever, eu não percebia, mas as personagens que se apresentavam a mim eram versões de quem eu era, ou ainda, de quem queria ser. Eu libertava universos inteiros com os quais poderia me identificar e me sentir acolhida.

Eu buscava representatividade.


Como uma mulher branca, cisgênero, não era difícil encontrar personagens iguais a mim. Depois, devido a depressão e transtorno de ansiedade passei a ganhar peso e aí já não era fácil me reconhecer nas protagonistas esbeltas e curvilíneas. Então criei a Clara, isso lá em 2012. Ela tão como eu, por dentro e por fora, que me surpreendia, mas era bom. Ela era uma heroína, afinal de contas, então eu também poderia ser.


Em 2014, participei de uma feira literária no Rio de Janeiro e dei uma palestra para um grupo de alunos bem diverso. Eles ficaram maravilhados com o livro As Batidas Perdidas do Coração e um jovem negro retinto me perguntou: "Tem algum personagem igual a mim?"


Levei apenas um segundo para perceber que eu não tinha. Na verdade, eu tinha um personagem, mas era um dos amigos do Rafa, que assim como o meu protagonista tinha suas questões com drogas e tráfico. Nunca me senti tão envergonhada como naquele dia.


Isso mudou, de lá para cá, há cada vez mais representatividade em meus livros - tanto em seu conteúdo quanto em suas capas.


Quanto às questões de gêneros, tenho personagens muitos amados que pertencem à comunidade LGBTQIA+, mas ainda nenhum protagonista. Isso me incomoda há alguns anos e eu estava trabalhando nisso, mas como vocês sabem fiquei quase 3 anos sem escrever história alguma e só retornei no ano passado.


Então fiquem cientes de que já tenho projetos sendo desenvolvidos em que, assim como na vida - os heteronormativos - não são os únicos protagonistas.

Quando escrevo, faço por mim - para desaguar os sentimentos em forma de palavras - e faço pelos meus leitores - para que eles encontrem uma casa em meus livros assim como já o têm no meu coração.


Hoje é Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ e nada do que eu fizesse seria suficiente para mudar o mundo em que vivemos, mas há algo que posso fazer: criar histórias em que todos se reconheçam e se sintam amados. ❤️🧡💛💚💙💜

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